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Linux: Distribuições

Breve histórico de algumas distros

Características de algumas distros

O código aberto e as distribuições
Onde encontrar as distros

Qual distribuição usar?



O código aberto e as distribuições


Evidentemente, no início só havia um Linux.

Entretanto, como muitos programadores atenderam o convite de LinusTorvalds para usar e modificar o kernel, foram criados muitos programas de instalação personalizados, diversos sistemas de empacotamento dos programas etc...

Isso acontece pois o software livre que, sendo aberto e permitindo derivações e/ou modificações, possibilita que sejam criados muitos conjuntos diferentes de programas para atender diversas finalidades ou desejos.

Como o próprio Linux e a maioria dos programas incluídos nas distribuições são livres, se uma pessoa ou uma empresa não gostar de nenhuma distribuição disponível, pode montar a sua. Da maneira que achar melhor.

E, se desejar, pode usar ferramentas já existentes para otimizar este processo. E pode disponibilizá-la, comercialmente ou não.

Uma característica do desenvolvimento do sistema é que dificimente uma nova distribuição se inicia do zero. Praticamente todas se baseiam em outra pré-existente. Assim a velocidade de desenvolvimento de novos projetos é muito maior, pois os desenvolvedores se concentrem em corrigir problemas e acrescentar novos recursos.

Portanto, uma distribuição, que também é chamada distro, é um conjunto de programas, que inclui o próprio kernel Linux e vários aplicativos, de modo a atender às necessidades das pessoas. Exemplo: atualmente, quando alguém instala o Ubuntu, também são instalados o gerenciador de arquivos Nautilus, o navegador Mozilla Firefox, o processador de textos, planilhas, e apresentações OpenOffice.Org, e vários outros programas.

Então, hoje há mais de 500 distribuições ativamente mantidas, sendo que aproximadamente 20 são bastante conhecidas por todo o planeta. Aliás, se pensarmos também nas distribuições descontinuadas, o número chega a cerca de 2.000.


Breve histórico de algumas distros


Antigamente, a instalação do linux era complicada. E o próprio usuário deveria procurar programas que funcionassem sob o sistema operacional, como um editor de texto, ou um editor de planilhas. E ainda deveria compilá-los e configurá-los.

Ou seja, era necessário bastante conhecimento técnico para simplesmente instalar o sistema. Provavelmente é devido a isso que o Linux carrega a "fama" de ser difícil e que só pode ser usado por bons usuários.

Assim, o passo seguinte foi conseguir versões já compiladas do sistema, que pudessem ser instaladas facilmente.

H J Lu, em 1991, foi o primeiro a incluir em dois disquetes, denominados "Boot/Root", o mínimo necessário para inicializar o sistema e executar algumas ferramentas básicas, em modo texto. Logicamente, ainda não era uma "distribuição Linux" como concebemos hoje.

Entretanto, Owen Le Blanc, em fevereiro de 1992, na Universidade de Manchester, propôs a MCC Interim Linux, a primeira distribuição, em modo texto, que podia ser instalada independentemente em uma máquina. Ela congregava um conjunto de todos os programas necessários e desejáveis para permitir que se use bem um computador.

Provavelmente em abril de 1992 algumas pessoas de uma universidade pública nos Estados Unidos, a "Texas A&M University" criaram a distribuição TAMU.

Em agosto de 1992, foi lançada o SLS ("Softlanding Linux System") pela empresa Softlanding, um conjunto de arquivos comprimidos em formato zip, que geravam os disquetes de instalação a partir do MS/DOS.

Em novembro de 1992 surgiu a Yggdrasil, que podeser considerada um antecessor dos live-CDs. O boot era dado por meio de um disquete e o sistema rodava a partir de um CD-ROM. Tinha um ambiente gráfico e a opção de instalá-lo no HD usando um script em shell. Era lenta pois os CD-ROMs eram 1x ou 2x e os pcs tinham apenas 4 ou 8 MB de memória.

Uma característica do desenvolvimento do sistema é que dificimente uma nova distribuição se inicia do zero. Praticamente todas se baseiam em outra distribuição. Assim a velocidade de desenvolvimento de novos projetos é muito maior os desenvolvedores se concentrem em corrigir problemas e acrescentar novos recursos. Um exemplo é o Slackware, que foi feito a partir da distribuição SLS, incluindo diversas modificações e melhorias.

Em julho de 1993, Patrick Voldering criou o Slackware, a partir da SLS, porém rejeitando as ferramentas de configuração que escondiam do usuário o real funcionamento do sistema e só instalando aplicativos estáveis (e não de versões beta ou pré-releases). Assim, o Slackware, a mais antiga distribuição ainda ativa, tem poucas ferramentas automatizadas, o que obriga os usuários a estudar para conseguir usar o sistema.

O Debian (pronúncia em português: Débian) foi anunciado em 16 de setembro de 1993. Como se baseia no projeto GNU, é chamado Debian GNU/Linux. O nome é uma contração dos nomes dos seus fundadores, Ian Murdock e de sua mulher, Debra.

Curiosamente, o Buzz, a primeira versão do Debian, só surgiu em 1996, quando foram desenvolvidas ferramentas para

instalações fáceis de novos pacotes e remoções limpas dos pacotes antigos,
atualizações fáceis a partir de versões realmente antigas,
manutenção dos repositórios

O sistema de desenvolvimento é contínuo, e são sempre desenvolvidas simultaneamente três versões: Stable (= Estável), Testing (= Teste) e Unstable (= Instável).

O Debian Stable sempre mantém os pacotes mais estáveis e pode usar o Gnome e o KDE por padrão. Como contém pacotes mais antigos é o grande foco para servidores.

Interessante é notar que Sid, a versão instável do Debian, é uma eterna versão para testes, que nunca será finalizada, servindo de campo de testes para novas versões dos pacotes já existentes e para novos programas, possibilitando a detecção e correção de problemas. Entretanto, não é estável pois um erro em qualquer programa pode até impedir seu funcionamento.

Várias distribuições comerciais basearam-se no Debian: Linspire (antigo Lindows), Xandros, Knoppix, Kurumin, BrDesktop e Ubuntu.

Em novembro de 1994, foi lançado o Red Hat, que foi a primeira distribuição a utilizar um sistema de gerenciamento de pacotes, em que cada programa é transformado em um pacote compactado, e que pode ser instalado por meio de um único comando. Como o sistema guarda informações sobre os pacotes instalados, depois, se for desejado, é possível removê-los totalmente, ou seja, sem deixar restos de bibliotecas e chaves de registro.

Entretanto, em 2003, o Red Hat concentrou-se no atendimento a empresas, e passou a desenvolver o RHEL, "Red Hat Enterprise Linux", e a vender pacotes com o sistema, atualizações e suporte. Assim, o Red Hat Desktop foi descontinuado após a versão 9. Então, passou a ser desenvolvido o Fedora, que combina o trabalho de parte da equipe da Red Hat com os esforços de muitos voluntários.

A partir do Red Hat apareceram outras distribuições: o Mandrake (França),o Conectiva (Brasil) e o SuSE (Alemanha).

O Mandrake foi lançado em julho de 1998, incluindo a interface gráfica KDE, com o foco na facilidade de uso. Logo passou a ser desenvolvido de forma independente. O Conectiva foi a primeira distribuição Linux brasileira. Em 2005 Mandrake e Conectiva se uniram, originando o Mandriva, uma derivação do Mandrake, que conta com os esforços das equipes de ambas as distribuições em seu desenvolvimento.

O SuSE contém muitas contribuições de diferentes origens. Sua primeira versão foi baseada no SLS. Em 1995 passou a utilizar os scripts e ferramentas do Jurix, que era baseado no Slackware. Em 1998 começou a usar pacotes RPM e a incorporar características e ferramentas derivadas do Red Hat, sendo que essas ferramentas foram integradas em um painel de controle central para facilitar a administração do sistema, o Yast.

Entretanto, em 2003, a Novell adquiriu o SuSE. Consequentemente apareceram o Novell Desktop (uma solução comercial) e o projeto comunitário OpenSuSE, que se baseia em uma estrutura organizacional inspirada pelo Fedora.

Percebe-se que acontece com o sistema linux o mesmo que ocorre com os seres vivos; a variedade, a abundância é parte integrante e importante do ambiente. Há muito o que escolher.

O cladograma abaixo sobre as distros Linux sobre uma linha de tempo, mostrando quais distribuições estão ativas, pode ser visto em

GNU/Linux distro timeline - distribution cladogram
http://futurist.se/gldt/gldt76.png (Clique na figura se desejar ver em tamanho maior).



Uma tabela com as origens de cada distrib pode ser vista em

Distribution Statistics - Independence

Detalhes sobre as dez distribuições Linux (com uma "menção honrosa" para o FreeBSD), consideradas como as mais utilizadas por usuários de todo o mundo estão em:

Top Ten Distributions - An overview of today's top distributions


Juzo-kan criou os seguintes mangás para representar algumas das distribuições linux.



O Ubuntu

Atualmente o Ubuntu é uma das distribuições mais populares em todo o mundo.

Essa distro provém do Debian, que oferece um repositório de pacotes bastante completo e, devido a isso, é utilizado como base para o desenvolvimento de diversas distribuições.

Em 8 de julho de 2005 Mark Shuttleworth e a "Canonical Inc." anunciaram a criação da Fundação Ubuntu e providenciaram um aporte inicial de dez milhões de dólares para garantir apoio e desenvolvimento a todas as versões.

A "Canonical Inc." vende suporte, treinamentos e customizações do Ubuntu. Aparentemente essa idéia de combinar uma ONG com uma empresa deu muito certo, pois combina o trabalho em tempo integral de um grupo de programadores no desenvolvimento do sistema com os esforços de muitos voluntários.

O Ubuntu já originou várias distribuições, como o Kubuntu ( interface gráfica = KDE) e o Xubuntu ( interface gráfica = XFCE). Elas compartilham o mesmo repositório, mas são baseadas em diferentes conjuntos de pacotes.


Onde encontrar as distros

Seguem-se endereços de algumas distribuições linux bastante conhecidas:

Arch Linux - http://www.archlinux.org/

Caldera - http://www.calderasystems.com/

Corel Linux - http://linux.corel.com/ (Debian)

Debian - http://www.debian.org/

DOS Linux - http://www.tux.org/pub/people/kent-robotti/index.html/

Easy Linux - http://www.eit.de/c/easylinux.html/

Edubuntu - http://www.edubuntu.org/

Fedora - http://fedoraproject.org/

Gentoo - http://www.gentoo.org/

Knoppix - http://www.knoppix.com/

Kurumin NG - http://www.kurumin-ng.com.br/ (brasileira)

Mandriva - http://www.mandriva.com/

MKLinux - http://www.mklinux.apple.com/

Puppy - http://www.puppylinux.org/

Red Hat - http://www.redhat.com/

Slackware - http://www.slackware.com/

SUSE - http://www.suse.com/

Turbolinux - http://www.turbolinux.com/ (Red Hat)

Ubuntu - http://www.ubuntu.com/

Xubuntu - http://www.xubuntu.org/

Yellow Dog Linux - http://www.yellowdoglinux.com/ (para Mac)

Se houver necessidade ou até como curiosidade há um Museu do Linux em http://www.ibiblio.org/pub/Linux/, em que se pode procurar por versões, documentação e programas Linux (com download via FTP e/our WWW)

Para encontrar grupos de usuários brasileiros de cada distribuição basta efetuar uma busca digitando o nome da distribuição seguido pela palavra Brasil: Exemplo: Ubuntu Brasil.

Um documento sobre Linux em português, bastante completo, que pode auxiliar tanto usuários iniciantes quanto os avançados, em várias distribuições, é o Guia Foca GNU/Linux, disponível no endereço http://focalinux.cipsga.org.br.


Características de algumas distros

Atualmente há várias distribuições populares e que tem fóruns ativos onde se pode fazer perguntas, se houver dúvidas.

As distros consideradas mais fáceis e recomendadas para os novos usuários, sem ter que dominar as complexidades do sistema são: Ubuntu, Linux Mint e PCLinuxOS.

Já, OpenSUSE, Fedora, Debian e Mandriva podem ser classificadas como intermediárias.

Por outro lado, Slackware, Gentoo e FreeBSD são as distros recomendadas para usuários avançados, pois precisam de muita aprendizagem antes de poderem ser usadas de forma eficaz.

CentOS é adequada para aqueles que preferem a estabilidade, confiabilidade e suporte a longo prazo.

Entretanto, a variedade caracteriza as distros:

Algumas ocupam apenas um disquete e outras precisam de vários CD-ROMs.

Algumas podem funcionar em computadores bem antigos, com pouquíssimos recursos de hardware.

Existem distribuições que são usadas por poucas pessoas. E há outras que tem usuários espalhados por toda a Terra.

Distribuições diferentes podem estar presente em vídeojogos, handhelds, laptops ou em mainframes.

E podem utilizar muitas arquiteturas de computadores: x86 (Intel, AMD), x86-64 (Intel EM64T, AMD64), ARM, PowerPC, Alpha etc...

Algumas distribuições populares são Ubuntu, Kubuntu, Kurumin NG, Mandriva, Debian e openSUSE.

Ubuntu

Instalação fácil e rápida. Possui uma grande e ativa comunidade, o que torna rápida a resolução de possíveis problemas. Disponibiliza versões LTS.

Ambiente gráfico principal: GNOME
Sistema de pacotes: DEB (apt-get)
Recomendação: Usuários iniciantes

Kurumin NG

Distribuição brasileira, que foi descontinuada. A instalação de programas é fácil. Bom suporte a hardwares usados no Brasil.

Ambiente gráfico principal: KDE
Sistema de pacotes: DEB (apt-get)
Recomendação: Usuários iniciantes

Fedora

Possui o instalador Anaconda, um dos mais fáceis e práticos e o SELinux, que traz políticas avançadas de segurança. Útil principalmente em servidores web.

Ambiente gráfico principal: GNOME
Sistema de pacotes: RPM (Yum)
Recomendação: Usuários iniciantes e intermediários

Mandriva

É resultante da brasileira Conectiva e da francesa Mandrake. Preocupa-se com usuários iniciantes, tendo ferramentas gráficas, inclusive de instalação. Possui o Centro de Controle Mandriva, que permite transferir arquivos e configurações do sistema da Microsoft, instalar e remover pacotes, configurar o servidor gráfico, etc....

Sistema de pacotes: RPM (Yum)
Ambiente gráfico principal: KDE
Recomendação: Usuários intermediários

OpenSUSE

Possui o YaST, um painel de controle completo. Auxilia muito os usuários com conexão lenta, ou impacientes.

Ambiente gráfico principal: KDE
Sistema de pacotes: RPM (YaST)
Recomendação: Usuários intermediários

Gentoo

Instalação do sistema e de programas é muito lenta, levando horas. Possui a Portage para gerenciamento de pacotes, que possibilita um sistema totalmente adaptado ao hardware existente.

Ambiente gráfico principal: Xfce
Sistema de pacotes: SRC (Portage)
Recomendação: Usuários avançados

Debian

Muito estável. Pode ser instalada em diferentes computadores com configurações fracas de hardware. O usuário necessita configurar quase tudo pela linha de comando. Há poucas ferramentas gráficas. Atualmente, é considerada uma das distribuições mais puras, pois apenas a sua comunidade mantém o sistema, não dependendo de empresas.

Ambiente gráfico principal: GNOME
Sistema de pacotes: DEB (apt-get)
Recomendação: Usuários avançados e servidores web


Qual distribuição usar?

É importante lembrar que o kernel, com pequenas modificações, é padrão para todas. Os pacotes são os mesmos, os programas também.

Então, qual a melhor distro Linux?

A resposta é: não há uma melhor. Ou, pelo menos não há uma que seja melhor para todos os usuários.

É como se a pegunta fosse: "Qual a raça de cães é melhor?". Há muitas. Eu gosto de várias: dálmatas, cocker spaniels, collies, bassês.

Então, a melhor é aquela com a qual a gente se identifique mais.

Entretanto, como há muitas distribuições, foi desenvolvido um teste para auxiliar a escolha.

O teste é composto por algumas perguntas referentes aos seus objetivos com o Linux e ao seu conhecimento sobre Informática. Ao terminar aparecerá uma lista das distribuições mais apropriadas ao seu perfil!.

Para acessar o teste, clique aqui.

Mas, é importante testar. Informar-se sobre as caracterísiticas de cada uma. Usar algumas E encontrar aquela com a qual você se identifique mais, seja pelos pacotes disponíveis, pela interface gráfica, ou pela maneira de usar.

Após testar uma distribuição vai ser necessário testar mais evidentemente, para poder escolher.

Uma dica é lembrar que apesar das diferenças, as distribuições de uma mesma família são muito parecdas no gerenciamento de pacotes, na organização dos arquivos,na localização dos arquivos de configuração, etc.

Portanto, é mais fácil para uma pessoa acostumada com o Debian migrar para o Ubuntu, do que migrar para o Fedora, ou o Slax, por exemplo, que tem raízes diferentes.

Onde encontrar mais informação

Referências bibliográficas



Este "site", destinado prioritariamente aos alunos de Fátima Conti,

disponível sob FDL (Free Documentation Licence),
pretende auxiliar quem esteja começando a se interessar por internet,
computadores e programas, estando em permanente construção.
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Última alteração: 12 abr 2010