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SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE
DEPARTAMENTO DE CLÍNICA CIRÚRGICA
DISCIPLINA: Medicina Geral do Adulto (M.G.A.II)
CURSO DE MEDICINA
AULA TEÓRICA
LESÕES TRAUMÁTICAS DO
APARELHO LOCOMOTOR
Prof. Dr. Fernando Mendes Paschoal
Lesões Traumáticas do Aparelho Locomotor
1-CONTUSÕES Fig.1.
Fig.1. a- Contusão do pé b-
Radiografia.
São lesões superficiais decorrente de trauma, com pele íntegra e de intensidade variável; (entre a pele e o osso). Podem ser leves e graves.
Os sinais e sintomas são: dor, impotência funcional relativa, edema, equimose, hematoma, derrame cutâneo e articular.
O derrame articular: hidrartrose e hemartrose.
A - Diagnóstico.
História clínica, exame físico e exames complementares: Radiografias, R.N.M., U.S.
B-Tratamento:
Nas contusões, durante as primeiras 24 horas aplicar compressas de gelo. Após 24 horas fazer calor local para ajudar a absorver edemas, hematomas e relaxar a musculatura.
Medicação: Cetoprofeno®, Diclofenaco de sódio®, Nimesulida® etc.
Derrames articulares: punção asséptica e bandagens compressivas.
Hematoma e abscessos: fazer cirurgia de drenagem.
Nas complicações vásculo-nervosas: cirurgia.
2 – ENTORSES- Fig. 2 e 3.
É o resultado de movimentos bruscos que a articulação realiza acima do normal. Se a lesão for mais violenta pode resultar em torções de osso configurando um quadro de luxação. As entorses são lesões de partes moles podendo ser leves e graves.
A - Diagnóstico de entorse leve: dor, impotência funcional e aumento de volume;
B - Diagnóstico de entorse grave: dor, impotência funcional, derrame articular, equimose com e sem rompimento ligamentar.
C - Exames complementares: Radiografia simples por muitas
das vezes vem associada à entorse apresentando fraturas. Ultra-som (U.S.),
Ressonância Magnética (R.N.M.) para confirmação de lesão ligamentar
ou Radiografia com manobra de stress.
D – Tratamento: Imobilização com gesso (talas gessadas). Aplicações de gelo por 24 horas, em seguida calor local, analgésicos e antiflogísticos.


a
b
Fig.2-Entorse do tornozelo a e b.


a
b c
Fig.3- Entorse do
joelho a, b e c
3 - LESÕES MUSCULARES- Fig. 4 e 5.
A - Distensão Muscular =Ruptura de pequenas quantidades de fibras musculares.
B - Clínica=dor, impotência funcional, aumento de volume, equimose.
C - Locais mais freqüentes: coxa e região lombar.
D - Rotura Muscular= Trauma direto ou rotura espontânea.
ü Clínica: dor, impotência funcional, diminuição dos movimentos locais mais freqüentes = bíceps, quadríceps e panturrilha. No exame físico (altera o formato muscular).
ü Exames complementares: U.S., RNM para partes moles, Radiografia.
ü Tratamento: rotura muscular importante= cirurgia, a cicatrização é fibrosaà hipertrofia diminuição dos movimentos e da força muscular.
ü Lesões Tendinosas: por trauma, rotura violenta, gota causando ruptura de grandes tendões mesmo com pequenos traumas.


Fig. 4- Tenorrafia
de tendão de Aquiles


Fig.5.1- Via de acesso da tenorrafia do tendão
Fig 5.2- Lesão do tendão de Aquiles
do punho
3.1 – Lesões Nervosas de acordo com Seddon- Fig.6
v Neuropraxis:
- Contusão do tronco nervoso periférico → perde a capacidade de condução do estímulo → paralisia, anestesia;
- Recuperação rápida
v Axoniotmesis:
- Fibras nervosas rompidas, bainhas intactas;
- Degeneração Walleriana;
- Recuperação em alguns dias
v Neurotmesis:
- Lesão da bainha e das fibras;
- Espaço preenchido por tecido fibroso → fibrose
- Tto:
Cirúrgico (Neurorrafia) –
a b c
Fig.6- Tipos de lesões de nervos (a – Neuropraxis;
b – Axoniotmesis; c – Neurotmesis)
4 - FRATURAS:
Solução de continuidade do osso por mecanismos traumáticos que supera a elasticidade e resistência do osso. Do ponto de vista patológico é: solução continuidade + fenômeno físico patológico + lesão anátomo-patológica (complexo 2º)
☻ Fenômeno físico patológico = congestão, edema, retardo da circulação, processo inflamatório traumático.
☻ Fenômenos patológicos associados= hemorragia de tendão, aponeuroses e dos músculos.
☞ Fratura= solução de continuidade do osso + complexo 2º
· Conceito= foco de fratura, hematoma, fragmentos, complexo 2º.
· Descolamento epifisário= não há fratura. Ocorre descolamento de epífise que pode lesionar a fise causando diminuição do crescimento.Fig.7.
Fig.7- Classificação de Salter-Harris
(Fraturas em criança)
1) Fratura articular: quando o osso fratura ele se reconstitui
novamente
Obs.: Cartilagem articular= facilita movimentos porque diminui o atrito e absorve impactos. Não têm circulação.
2) Fratura luxação: quando há fratura do osso (articulação) perto de uma luxação.
3) Fratura de stress: não há trauma, mas há quebra de osso por submetê-lo a uma atividade que ele não está acostumado. É mais comum nos membros inferiores. EX: indivíduos que passam a exercer atividades militares sem preparo (2º, 3º metacarpiano).
4) Fraturas nas distorções: entorses graves normalmente têm fratura.
5) Fratura aberta: foco de fratura se comunica com meio externo. Potencialmente contaminadas.
6) Fratura envelhecida: que não tiveram tratamento imediato.
♣ Etiologia das fraturas:
- Freqüência variável, idade – crianças e jovens (+), adulto (-), idosos (+)
- Causas internas ou externas
- Mecanismos de produção:
Ø Direto
Ø Indireto: flexão, compressão, torção, cisalhamento, arrancamento.
♣ Classificação:
I-Quanto ao foco da
fratura em relação ao seu traço fraturário
1-com desvio Ex: fraturas com desvio lateral dos fragmentos, fraturas com desvio angular, fraturas impactadas – no caso seriam aquelas cujos dentes das extremidades ósseas se entrelaçam uns aos outros, fraturas cavalgadas superpõem um fragmento sobre o outro fragmento resultanto encurtamento ósseo, fratura em diástase quando existe afastamento dos fragmentos principais da fratura ocorrendo como conseqüência alongamento ósseo, fratura em rotação dos fragmentos( interna ou externa ;2- Fraturas sem cesvio ex: Fraturas em fissuras ósseas
II- Quanto à relação entre
foco e ambiente:
Fig.8 à 16.
III- Quanto à extensão do traço de fratura:
completa e incompleta.
Simples: 1
fragmento
Cominutiva: 2
fragmentos ou mais
IV-Quanto á localização do traço da fratura: Epifisária, diafisária, metafisária, apofisária (tíbia e cotovelo).
V-Fraturas especiais: em “galho verde”- comum em crianças, o osso entorta, mas não quebra e as fraturas por decolamento epifisário.
A
B
Fig.8. A- Fratura
incompleta da tíbia 1/3 médio e B- Fratura completa do 1/3 proximal do fêmur.

A B
Fig.9. A - Fratura do 1/3 proximal aberta da fíbula por projétil de arma de fogo; B - Fratura do punho.

Fig.10. Fratura de clavícula. Fig.11. Manobra de redução de
fratura
de clavícula.

Fig.12 – Fratura de patela Fig.13–
Fratura do 1/3 distal rádio

Fig.14-
Fratura de punho cominutiva com Fig.15 – Fratura exposta dos ossos da perna.
fixação tipo Fixador
Externa.

Fig.16 – Fratura do 1/3 proximal do fêmur e fratura
pilar posterior do acetábulo.
VI.
Classificação das fraturas quanto a exposição de
acordo com GUSTILO-ANDERSON MODIFICADA:
Tipo I:
vFratura:
Ø Exposta;
Ø Limpa;
Ø Exposição <
Tipo II:
vFratura:
Ø Exposta >
Ø Sem dano excessivo de partes
moles;
Ø Sem retalhos ou avulsões.
Tipo III:
vFratura segmentar:
Ø Com dano excessivo de partes
moles;
Ø Com amputação traumática.
Tipo III-A à Dano extenso das partes moles, lacerações,
fraturas segmentares, ferimentos por armas de fogo, com boa cobertura óssea de
partes moles
Tipo III-B à Cobertura inadequada de partes
moles ao osso.
Tipo III-C à Lesão arterial importante, requerendo reparo.



Fig17. Tipo III-A Fig.18.
Tipo III-B Fig19. Tipo III-C
♣ Sintomas:
Subjetivos: dor, impotência funcional relativa
☞ a dor é sinal de que não houve consolidação. A consolidação clínica é precoce; já a radiológica é tardia.
Objetivos: edema (tumefação, equimose, flictema), deformidade, mobilidade anormal, creptação.
♣ Diagnóstico: anamnese, exame físico, exames
complementares.
-Inspeção
No
exame clínico (atentar p/ estado circulatório): -Palpação
-Mensuração
-Comparação
-
RX simples (PA, perfil,
oblíqua)
. Incidência de rotina
Nos exames complementares: . Incidências especiais
- Radiografias contrastadas
♣ Tratamento das fraturas :
Basear-se nos princípios gerais:
1. Não agravar lesões iniciais (iatrogenia= ap. gessados, tração, cirurgias)
2. Diagnóstico e prognóstico precisos: idade, local e tipo de fratura, desvio e irrigação dos fragmentos.
3. Finalidade do tratamento: anular a dor, obter e manter posição de fragmentos ossos, permitir ou estimular colocação de enxertos e a união óssea, restabelecer função do membro.
4. Tratar cada paciente individualmente (de acordo com idade, pois o tratamento de crianças diferente do adulto, sexo, outras enfermidades, deformidades residuais).
♣ Métodos específicos de tratamento das fraturas:
- Indicação do método-Fig.17
- Contra-indicação e riscos, baseiam-se em prognóstico, experiência pessoal, evolução dos conhecimentos.

Fig.20 – Fratura do 1/3 médio traço
de fratura
oblíquo e 3º
fragmento com fixação haste
bloqueada Faculdade de Medicina Ribeirão
Preto (FMRP).
v Tratamento: executar redução dos fragmentos, restabelecendo o mais perfeitamente a morfologia do osso, proceder à imobilização da fratura reduzida, garantindo a reparação terminada a consolidação obter a recuperação funcional, corrigir as conseqüências do traumatismo.
5 - LUXAÇÃO
Perda da contigüidade das superfícies ósseas das articulações. Necessita forte trauma.
Exemplos de Luxação: Fig. De nº 21 à 31.
Características da luxação do ombro:
- Ângulo reto no ombro / braço
- Paciente chega segurando a mão
- O braço luxado parece mais curto
- Parece faltar a cabeça do úmero

A
B
Fig.21-A-Luxação de
cotovelo e B- pós-redução

Fig.22– Luxação inter falangiana proximal Fig.23- O “ombro em dragona”
deformidade –
Característica
da luxação escápulo-umeral.

Fig. 24- Luxação do ombro Fig. 25- Luxação do joelho

Fig.26- Radiografia
de luxação Fig.27-
Luxação voluntária do Fig. 28- Luxação
do quadril
do joelho ombro

Fig.29- Luxação do Tornozelo Fig.
30- Luxação do tornozelo Fig. 31- Luxação do quadril
Como corrigir a luxação do ombro:
I-Tração, rotação externa, adução;
II-Rotação interna;
III-Imobilizar: Velpeau gessado por 3 semanas (“Kocher”).
Elementos de estabilidade:
§ Contornos recíprocos de
articulação (Ex: Fêmur)
§ Ligamentos internos e externos
(Ex: Joelhos)
§ Cápsula articular potente
§ Músculos (Ex: Mm. que envolvem o
ombro).
♣ Etiologia: trauma direto, indireto, congênita, luxação habitual.
♣ Tipo: fechada, aberta.
♣ Quadro clínico: dor menos intensa e por curto período, impotência funcional absoluta, deformidades típicas.
- Imediatas: luxações abertas (infecções, lesão de vasos e nervos)
♣
Complicações:
- Tardias: rigidez, luxação recidivante, artrose
♣ Tratamento imediato: Redução sob anestesia,
imobilização, fisioterapia.
6- BIBLIOGRAFIA BÁSICA Ortopedia e Traumatologia:
1.
ADAMS, JC.
Manual de Ortopedia, ed.: Livraria Anter
Médica Ltda.
2.
CHAD. Avaliação
das lesões Ortopédicas esportivas, ed.: Manole,
2001.
3.
CRENSET,
AH. Cirurgia Ortopédica De Campbell, ed.: Manole Ltda, vol:
I, II, III e IV.
4.
DANDY. Ortopedia
e Traumatologia, ed: Revinter,
2000.
5.
HERBERT, S; XAVIER, R; PARDINI, A.G.Jr;
DE BARROS, EP. Filho e colaboradores. Ortopedia e Traumatologia, ed: Artmed.
6.
HOPENFELD.
Tratamento e reabilitação das fraturas, ed: Manole, 2001.
7.
HOPPENFELD,
S. Propedêutica Ortopédica (coleções), ed: Atheneu.
8.
JONES, W.
Fraturas e Traumatismos das Articulações, ed: Guanabara-Koogan, 2 volumes.
9.
PEREIRA, H.
Neurotraumatologia, ed:
Revinter, 2000.
10. ROCKWOD, CA.Jr;
GREEN, DP. Fraturas em adultos, ed: Manole Ltda, vol: I e II.
11.
12. SIZINO, H. Ortopedia e Traumatologia, ed: Artmed, 2002.
13. SPRINGER, EPU. Burri – Cirurgia
do Trauma, ed: Pedagógicos e universitár4ia São
Paulo Ltda.
14. TUREK, SL. Ortopedia (Princípios e suas
aplicações), ed: Manole
Ltda, vol: I, II e III,
1991.
15. WEINSTEIN, S. Ortopedia de Turek, 5ªedição, ed: Manole, 2001.
16. PERIÓDICOS:
- Clinical Orthopedics and Related Research.
- Journal of Bone and Joint Surgery (vol. Americano e Inglês).
- Journal of Trauma.
- Revista
Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.